Arquitectura PDF Imprimir e-mail

No conjunto de aglomerados do Concelho, destaque para a sede Miranda do Douro, pelo importante Património Arquitectónico Construído existente no seu centro histórico, que mantém intactas algumas características da sua traça medieval, no desenho urbano das suas lajeadas ou na presença de edifícios notáveis, onde se destacam espalhadas pela cidade ou em conjunto de grande interesse: casas quatrocentistas bastante bem conservadas.

 

O Castelo afonsino foi destruído no dia 8 de Maio de 1762, aquando da explosão do paiol da pólvora. Além das muralhas subsiste a torre de menagem com as armas de avis e o Arco de Nossa Senhora do Amparo.

 

A Sé de grande envergadura e harmonia de linhas sóbrias e verticais, foi edificada na 2ª metade do séc. XVI na frontaria renascentista, duas altas torres unida por um artístico balaústre ladeiam o pórtico, o corpo do templo, de planta cruciforme, é constituído por três naves. separadas por duas fiadas de três pilares quadrangulares, sustentando uma ampla abóbada de granito com nervuras cruzadas estelares; o altar-mor apresenta um retábulo renascentista composto por 56 imagens bíblicas em alto relevo.

A Catedral conserva o magnífico órgão que lhe foi dado na época joanina; uma das singularidades da Sé é a ingénua imagem do Menino Jesus da Cartolinha, datado de meados do séc. XIX, mas que corporiza uma lenda que remonta à Guerra da Restauração (séc. XVII), durante a qual um rapazinho de espada em punho (depois identificado com o Menino Jesus) andou a percorrer as ruas da cidade atiçando a coragem dos seus moradores para fazerem frente aos espanhóis. 

 O Paço Episcopal, pouco depois de construído foi vítima de incêndio em 1706. Dele resta o andar térreo com uma arcada contínua de amplas proporções transformado em local ajardinado. De registar ainda que na Rua da Costanilha se conservam belas casas quinhentistas de portas rectangulares e janelas estreitas floridas, entre elas sobressaindo uma moradia totalmente de pedra com janelas geminadas e cachorros medievais esculpidos no granito.

 

A velha Casa de Câmara alberga agora o museu, junto à porta medieval pode ver-se a Fonte dos Canos, construída nos séculos XVII-XVIII.


Em Malhadas, 8 km a N, podem ver-se uma excelente igreja românica com belo alpendre contíguo (séc. XIII) e um esplêndido cruzeiro. Referência ainda, para todo um conjunto de Igrejas ou Capelas dos séculos XV - XVII, espalhadas pelas aldeias do concelho (de onde se destacam das demais as Igrejas Matriz de Sendim, Atenor, Vila Chá de Braciosa, Duas Igrejas e a Igreja da Srª do Monte também em Duas Igrejas), cruzeiros, alminhas e fontes, e principalmente os núcleos primitivos dos aglomerados que ainda apresentam bons exemplos da arquitectura tradicional e popular.


Actualmente a preservação ou recuperação deste património construído surge como uma tarefa árdua, dado o estado caótico em que se encontra o conjunto dos aglomerados, descaracterizados pelas novas e desordenadas  construções arquitectónicas e também pelo abandono a que são votadas as construções mais antigas de traçado tradicional. Isto é provocado essencialmente pelo desinteresse das populações, que encontram nas novas formas de arquitectura dissonantes uma melhoria das condições de habitabilidade.

Será ainda de referir que na paisagem do planalto mirandês sobressaem diferentes exemplares de "arquitectura de produção": cabanas de pastor, currais móveis para gado ovino e caprino e os pombais. Para a construção destes abrigos são, muitas vezes, utilizados materials vegetais, podendo os mesmos serem associados a pedras, ou integralmente construídos a partir deste material. Os pombais têm uma origem centenária e sobressaem na paisagem com a sua alvura e formato circular.